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PANORAMA DA PRODUÇÃO DE LICHIA NA CHINA


AUTOR: Osvaldo Kiyoshi Yamanishi

SOBRE O AUTOR: Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal do Paraná (1988), mestrado em Produção Vegetal - Kochi University (1992) e doutorado em Produção Vegetal - Ehime University (1995). Atualmente é professor adjunto da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de fruticultura, com ênfase no sistema de produção integrado de frutas - PIF onde coordenou a produção integrada de mamão até 2004. Em 2004 coordenou o 3rd International Symposium on Tropical and Subtropical Fruits sob os auspícious da ISHS - International Society of Horticultural Science em Fortaleza-CE e o First International Seminar on Lychee in Brazil realizado em Limeira-SP. A partir de 2000 coordenou junto ao MAPA a Análise de Risco de Pragas para introdução de novas variedade de lichia e macadâmia da Austrália que culminou com a publicação da IN 63 publicada no DOU em 2 de setembro de 2004 regulamentando a importação de alporques de lichia da Austrália. Atualmente coordena um grupo de 20 produtores de lichia nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goias, Distrito Federal e Bahia que estão avaliando 15 novas variedades de lichia. Além da lichia tem estudado outras culturas com grande potencial como a longan, macadâmia, pitaya, jujube e castanha portuguesa nas inúmeras viagens de estudo realizados na Austrália, África do Sul, China, Taiwan, India, Vietnã, Tailândia e Malásia. O foco de estudo tem sido as fruteiras exóticas para os brasileiros mas extremamente conhecidas e populares na Ásia e Oceania e que são excelentes alternativas de cultivo por serem frutas "green" - ecologicamente corretos por apresentarem baixa pressão de doenças e com boa rentabilidade.

RESUMO

A China é o maior produtor de lichia com uma área total de 530.000 ha com uma  produção anual de 950.000 toneladas (excluindo Taiwan) em 1999. As principais regiões produtoras são as províncias de Guangdong, Guangxi e Fujian. A maior parte dos frutos é consumida in natura e aproximadamente 30% são desidratados. As principais cultivares precoces são: Baila, Baitangying e Sanyuehong, meia estação e tardia são: Feizixiao, Nuomici, Guiwei e Huaizhi na província de Guangdong. Os cultivares de lichia são cultivados de acordo com as condições ecológicas da região produtora e de acordo com a sua utilização, i.e., fruta fresca, desidratada e processada. As principais práticas culturas para controlar a alternância de  produção têm sido o controle do desenvolvimento vegetativo e reprodutivo através de métodos físicos como o anelamento e químico com o uso de reguladores de crescimento. O anelamento fechado e em espiral são utilizados para promover indução floral e a fixação dos frutos. Reguladores de crescimento são amplamente utilizados para evitar o fluxo de crescimento no inverno para favorecer a iniciação floral e para prevenir a excessiva queda de frutos e diminuir o rompimento da casca nos frutos. A exportação da fruta fresca para mercados externos tem sido incentivada.

INTRODUÇÃO

A China tem longa história no cultivo da lichia de mais de 2.000 anos. Nas últimas duas décadas houve um crescimento considerável na sua área plantada. Durante este período, progressos em pesquisa e novas técnicas de cultivo foram obtidos. No entanto, a maioria dos resultados obtidos na pesquisa e os relatórios de  produção foram publicados em chinês sendo uma grande barreira para a divulgação das informações na comunidade internacional. 

A  produção de lichia tem se tornado numa das principais atividades do Sul da China a partir do início da década de 80. Esta atividade tem proporcionado mais de 320.000 empregos diretos e indiretos para a população local. Em 1999, a  produção total de lichia na China foi de 950.000 toneladas e de aproximadamente 650.000 toneladas na província de Guangdong. Na safra de 2000, esta prevista uma  produção similar mesmo com a supersafra obtida no ano anterior e com os danos causados pela geada durante o inverno de 1999/2000. Isto demonstra que progressos têm sido alcançados para solucionar o problema da irregularidade na produção.

DISTRIBUIÇÃO DOS CULTIVARES NAS DIFERENTES REGIÕES PRODUTORAS

A lichia é amplamente distribuída no Sul da China entre a latitude 31N e 18N e entre as longitudes 101E e 120E, no entanto, as áreas de produção comercial se encontram entre a latitude 19N e 24N (Wu, 1998). Apesar das regiões subtropical e tropical não representar 5% do território chinês a lichia é cultivado em diversas condições ambientais e de topografia. As principais cultivares nas diferentes regiões produtoras correspondem às peculiaridades climática, ecológica e econômica da região. Além disso, a regionalização das diferentes cultivares tem sido implementada de acordo com as condições ecológica, social e da tradição de cultivo. Na Tabela 01 pode ser observada a condição climática das principais regiões produtoras de lichia na China.

Tabela_01

Tabela 01. Condições climáticas das principais regiões produtoras de lichias da China.

O histórico da  produção de lichia tem mostrado claramente que as temperaturas próximas a zero podem causar danos ou até mesmo a morte das plantas de  produção , enquanto o inverno brando estimula o fluxo de crescimento no inverno conduzindo a uma escassa florada.

As principais regiões produtoras de lichia estão listadas na Tabela 02. As condições geográficas e as características ecológicas da província de Guangdong têm colocado a província na liderança da  produção de  produção na China. A Ilha de Hainan tem sido considerada como apropriada para cultivares precoces de lichia e inúmeras delas foram introduzidas, no entanto, somente a cultivar ‘Feizixiao’ tem apresentado resultados satisfatórios com uma  produção anual de 100 toneladas. Isto pode ser explicado pela insuficiente florada causada pelo inverno brando da região.

O cultivo da lichia tem se expandido para a região da bacia do rio Yangtse na província de Sichuan com uma  produção anual de 1.000 toneladas concentradas na metade de julho e na primeira quinzena de agosto. A baixa frutificação na cultivar ‘Dahongpao’ é devido à polinização insuficiente na primavera fria, nublada e chuvosa da região. Os cultivares tardios são promissores na região. No entanto, os ramos não disporão de suficiente tempo para amadurecer antes da queda da temperatura no final do outono o que pode ocasionar deficiência na iniciação floral. 

Na província de Fujian, a lichia é cultivada principalmente na costa Sul onde os tufões são freqüentes durante o verão e as baixas temperaturas no inverno surgem como fatores limitantes para a cultura. 

Na região central e sul da província de Guangdong (Figura 01) não há limitações ecológicas para o seu cultivo desde que sejam adotados cultivares e manejo adequado para o seu cultivo.

Figura_01

Figura 01. Mapa das principais regiões produtoras (acima) e da província de Guangdong (abaixo), principal região produtora de lichia da China.

Tabela_02

Tabela 2. Principais regiões produtoras de lichia na China.

Independente da facilidade de introdução de germoplasma entre os distritos, na China somente as cultivares tradicionais da região conquistou a preferência do mercado (Tabela 03).

Tabela_03

Tabela 03. Principais cultivares de lichia nas diferentes regiões produtoras da China.

Antes de 1990, os plantios de lichia eram, geralmente, feitas por pequenos produtores com áreas inferiores a 0,5 ha. Desde 1990, empresas iniciaram a investir no plantio da lichia com áreas superiores a centenas de hectare. As áreas de lichia nas províncias de Guangdong e Guangxi são usualmente maiores em escala que das províncias de Fujian e Sichuan. A  produção de lichia na região de Guangdong é considerada como sendo a mais tecnificada e com o sistema de comercialização relativamente organizada em relação a outras regiões produtoras.  A produção de lichia em Guangdong foi de 300.000 toneladas em 1998 e de aproximadamente 650.000 toneladas em 1999. Depois do recorde de produção em 1999, houve sérios danos causados pelo frio na região norte no inverno 1999/2000, mesmo assim, houve uma colheita razoável na safra 2000.

A comercialização voltada para o mercado externo necessita ainda ser fortalecida e expandida para outras localidades. Os cultivares elite como ‘Nuomici’, ‘Feizixiao’ e ‘Guiwei’ produzidos na China, assim como outros cultivares de qualidade similar as anteriores não encontraram resistência por parte dos compradores quanto à qualidade e a quantidade sendo sem dúvida um grande produto para as transações internacionais. As companhias estrangeiras podem ter lucros significativos instalando as agências nas principais regiões produtoras de lichia da China.

PLANTIO ADENSADO

Tradicionalmente, o plantio da lichia é feito em baixa densidade em torno de 150 plantas/ha com florescimento tardio e alcançando o pico da produção somente depois de 10 anos. A partir da década de 80, a  produção começou a ser plantada mais adensada com espaçamento de 6 m x 5 m ou 5 m x 4 m, i.e., 330 – 500 plantas/ha. Existem, também, áreas superadensadas com 1.500 plantas/ha (3 m x 2,5 m) estabelecidas em pequena escala. No sistema super adensado a freqüência de fertilização e irrigação é maior e há necessidade de fazer a poda drástica. As plantas de lichia no sistema superadensado emitem um número maior de fluxos de crescimento que no sistema convencional. Estes plantios, geralmente, iniciam o florescimento e a frutificação no terceiro ano após o plantio e o pico da  produção é esperado no sexto ano. O dossel da planta é mantido a dois metros de altura e largura através de podas drásticas após a colheita. Além disso, o anelamento do tronco e das pernadas principais tem mostrado ser necessárias para impedir a expansão do dossel e para estimular a indução floral. O uso de porta-enxerto anão é uma técnica bastante eficiente no sistema superadensado, no entanto, pesquisa nesta área é ainda inexistente para a cultura da  produção . Portanto, muitas questões têm de ser ainda pesquisadas para alcançar o êxito nos plantios superadensados. Será que existe material genético de lichia com características anão? Qual é a densidade ideal se considerarmos o uso da mecanização no futuro? Como será a mecanização em plantios superadensados? 

PRODUÇÃO IRREGULAR

O mecanismo de  produção irregular em lichia ainda é pouco estudado se comparada com outras fruteiras como maçã e laranja. Desde o início do século 20, cientistas chineses têm estudado o problema mas nada comparado como nas últimas duas décadas onde intensos estudos básicos e aplicados tem sido conduzido nas áreas de anatomia, fisiologia e técnicas de manipulação. Atualmente, o uso de reguladores de crescimento é amplamente utilizado para inibir os fluxos de crescimento no inverno e eliminar as inflorescências anormais. A poda das raízes durante o inverno é utilizado para promover a indução floral. Existe um consenso de que o ápice dos ramos de lichia não inicia a formação do primórdio floral se o meristema se encontra no estado dormente. A ativação do meristema no ápice pode resultar em iniciação floral caso ocorra em condições de temperatura baixa e o inverso em temperaturas altas. Os estudos e considerações a respeito da diferenciação floral em produção assim como em outras fruteiras subtropicais não caducas, devem levar em consideração o ritmo dos fluxos de crescimento e a dormência. Temperaturas baixas prolongadas que ocorreram no inverno de 1992/93 e que resultaram em uma floração irregular em 1993 leva a crer que existe um limite acima e abaixo para indução floral em  produção . Vários estudos com diferenciação floral estão sendo conduzidos na China.

A queda excessiva de frutos tem sido um grande problema causando perdas expressivas em determinados cultivares. Yuan & Huang (1988) tem mostrado que a queda fisiológica dos frutos em lichia apresenta um padrão de ondas intrínseco e existe uma queda de frutos na pré-colheita nas sementes abortadas de cultivares como ‘Nuomici’. A relação hormonal foi extensivamente estudada neste caso. Os reguladores de crescimento são amplamente utilizados para minimizar a queda excessiva de frutos no período da fixação e na pré-colheita além de outras técnicas descritas a seguir.

ANELAMENTO PARA PROMOVER O FLORESCIMENTO E A FRUTIFICAÇÃO 

Plantas jovens de alguns cultivares elites como ‘Nuomici’ e ‘Guiwei’ tendem a não produzirem. Estudos realizados por Yuan & Huang (1993) encontraram que em plantas jovens de ‘Nuomici’ existe um pico extra no crescimento das raízes em maio é característico da cultivar o que provoca a queda dos frutos. Zhou et al. (1996) não encontraram este pico no crescimento das raízes nas cultivares ‘Huaizhi’, assim com em plantas produtivas de ‘Nuomici’ que apresentaram menor queda de frutos. O anelamento elimina este pico extra de crescimento das raízes e reduz significativamente a queda dos frutos, assim como a queda pré-colheita que é característico dos cultivares como ‘Nuomici’ que apresenta sementes abortadas (Yuang & Huang, 1993). 

O anelamento em espiral em plantas jovens de lichia foi, provavelmente, adotado pela primeira vez em 1990 na província de Guangdong. Respostas positivas foram obtidas: (1) adiantando a maturação dos ramos do outono, (2) inibindo o fluxo de crescimento do inverno em favor da iniciação floral, (3) aumentando a porcentagem de flores pistiladas, (4) reduzindo a queda excessiva de frutos, (5) aumentando o tamanho dos frutos e (6) melhorando a qualidade dos frutos. 

O anelamento para promover a indução floral é recomendado no inverno no estágio quando as folhas estiverem mudando para verde e a iniciação floral. Para a fixação dos frutos é recomendado imediatamente após a florada. O anelamento em espiral para promover a floração na cultivar ‘Feizixiao’ é realizado na metade de novembro, no entanto, para as cultivares ‘Nuomici’ e ‘Guiwei’ são realizados no final de novembro e início de dezembro em troncos ou ramos com 10 cm em diâmetro. No entanto, para promover a fixação dos frutos nos cultivares ‘Nuomici’ e ‘Guiwei’ o anelamento é, usualmente, realizado no início de maio em ramos com 5 cm em diâmetro. A largura do sulco formado pelo anelamento é de 2 a 4 mm, sendo de 1,2 a 2,0 mm em anelamento em espiral e a distância entre o sulco é de 6,0 a 10,0 cm. Quanto maior a largura do sulco formado pelo anelamento e mais próxima for os sulcos no anelamento em espiral maior será o efeito produzido. Geralmente, os cortes estreitos e sulcos distanciados no anelamento em espiral são recomendados, principalmente, para promover a fixação dos frutos. Os cortes causados pelo anelamento, geralmente, cicatrizam até a colheita dos frutos. Nas regiões localizadas mais ao sul onde o florescimento irregular é problemático o anelamento em espiral tem conseguido solucionar o problema parcialmente.

RACIONALIZAÇÃO NA FERTILIZAÇÃO 

A análise foliar em lichia começou a ser utilizada e dada a devida importância somente a partir da década de 80. Em Guangdong, Anon (1995) sugeriu como nível adequado de nutrientes nas folhas de  produção como sendo de: 0,93% – 2,10% para nitrogênio; 0,08% – 0,21% para fósforo e 0,12% – 0,33% para potássio. Em Guangxi, os níveis sugeridos são de: 1,76%-1,78% para nitrogênio; 0,25% - 0,28% para fósforo e 0,75% – 0,92% para potássio (Anon., 1996). Os níveis adequados de micronutrientes segundo Zhuang et al. (1995) são: 1,5 – 5,0 mg/kg para zinco disponível; 1,5 – 5,0 mg/kg para manganês trocável; 1,0 – 5,0 mg/kg para cobre disponível, 0,40-1,00 mg/kg para boro solúvel em água; e 0,15 – 0,32 mg/kg para molibdênio disponível. No entanto, os produtores de lichia continuam aplicando fertilizantes baseando-se no tamanho do dossel e da  produção (Tabela 04) sem ter nenhuma informação do nível nutricional das plantas.

Tabela_04

Tabela 04. Nível de fertilização por 100 kg de fruto colhido.

A dose anual de fertilizante recomendada, tendo como base plantas com 5 anos, é de 0,6 kg de uréia, 1,2 kg de superfosfato de cálcio e 0,6 kg de cloreto de potássio com a proporção de N: P: K de 1,00 : 0,96: 1,30. Os fertilizantes são, geralmente, aplicados em três estádios de desenvolvimento, i.e., (1) na emergência da inflorescência (início para meados de janeiro); (2) durante o rápido crescimento dos frutos (início para meados de maio); e na época para estimular o fluxo de crescimento do outono (final de junho para julho). No entanto, na maioria dos pomares, os fertilizantes são aplicados freqüentemente em pequenas doses. Em muitos casos, o número de aplicação por ano excede 10 incluindo a aplicação via solo e foliar. Em adição aos fertilizantes químicos a matéria orgânica deve ser incorporada para melhorar a qualidade do fruto. No sul da China existe abundância de matéria orgânica sendo a principal fonte o esterco de aves.

ROMPIMENTO DA CASCA DOS FRUTOS – FRUIT CRACKING

O rompimento da casca dos frutos em certos cultivares de elite que alcanças preços elevados como ‘Nuomici’ e ‘Guiwei’ causam enormes prejuízos aos produtores de lichia da China. Por estes motivos os estudos nesta área tem despertado grande interesse por parte dos produtores. Estudos básicos e aplicados sobre o assunto iniciou na década de 80 com o grupo liderado pelo Prof. Huang da South China Agricultural University. O problema do rompimento da casca do fruto não pode ser resolvido em longo prazo por programas de melhoramento genético e seleção, haja vista que estes cultivares propensos ao rompimento já conquistaram a preferência dos consumidores pela sua qualidade superior e será muito difícil encontrar um substituto com os mesmos atributos. O uso de reguladores de crescimento e manejo integrado tem mostrado alguns resultados positivos na redução da taxa de rompimento (Li et al., 2000).

ENSACAMENTO DO FRUTO PARA MELHORAR A COLORAÇÃO E QUALIDADE DO FRUTO

A idéia de ensacamento do fruto de lichia surgiu da constatação de que o desenvolvimento da cor da casca e a evolução da qualidade do fruto não estavam totalmente sincronizados em alguns cultivares como ‘Feizixiao’. O fruto maduro desta cultivar apresenta, geralmente, uma coloração vermelha mesclado com verde tornando o menos atrativa que os demais cultivares elites. 

Li (1999) demonstrou que fruto ensacado em tecido sintético no estádio inicial do desenvolvimento do fruto acelerou a maturação do fruto e melhorou a sua coloração. Além disso, nas condições úmida e quente do verão de Guangdong, o ensacamento do fruto reduziu os danos por pragas e doenças. No entanto, o ensacamento do fruto é muito laborioso sendo, portanto, recomendado somente para cultivares elites como ‘Feizixiao’, ‘Nuomici’ e ‘Guiwei’. 

CONTROLE DE PRAGAS

As principais pragas da lichia na China são: Colletotrichum gloeosporioides Penz. e Peronophythora litchii Chen Ex Ko et al., enquanto a incidência de pragas variam de acordo com o manejo empregado. Tessaratoma papillosa Drury e Dasineura sp. são freqüentemente encontrados em pomares sem muito cuidado, enquanto Conopomorpha sinensis Bradley e Deudorix epijarbas Moore são freqüentes em pomares que aplicam com periodicidade e doses altas de defensivo agrícola. As pragas são controladas principalmente com defensivos agrícolas sintetizados. Para evitar o problema de resíduos nos frutos existe uma tendência pelo uso de métodos biológicos para o controle das pragas como a cobertura do solo, a inoculação de parasitóide, a biodiversidade da vegetação, etc. As doenças da lichia durante a floração e frutificação são geralmente controladas com fungicidas o que muitas vezes são aplicados nos demais estádios de desenvolvimento.

UTILIZAÇÃO DA FRUTA DA lichia NA China

Na China, os frutos de lichia podem ser utilizados como fruta fresca, desidratada e enlatados. Em 1999, a  produção total de lichia foi de 950.000 toneladas sendo 647.000 toneladas consumidas como fruta fresca, 300.000 toneladas desidratadas, 2.500 toneladas enlatadas e 500 toneladas congeladas. Como a China é influenciada por monções, a época da colheita das frutas coincide com época quente e úmido (maio – junho) causando uma intensa respiração dos frutos. Conseqüentemente, o manejo pós-colheita dos frutos produzido na China é mais complexo que nos países do hemisfério sul como a Austrália e África do Sul. Atualmente, toda a  produção de lichia da China é destinada para o mercado do hemisfério norte devido à dificuldade na conservação pós-colheita dos frutos. Pesquisadores chineses vem a décadas estudando mecanismos para prolongar a vida pós-colheita dos frutos através de tratamentos na pré- e pós-colheita. O fruto de lichia pode ser armazenado por até 30 dias com 91% dos frutos em condições adequadas de consumo (Chen et al., 1998). Fatores que afetam a maior ou menor período de armazenamento dos frutos são a qualidade dos frutos colhidos, o armazenamento, o transporte e o sistema de venda. 

Os comerciantes de lichia na China utilizam como substitutivo do caminhão refrigerado o caminhão baú com as frutas pré-resfriadas e algumas vezes com blocos de gelo na caixa de isopor para manter o fruto resfriado e ao redor das caixas de isopor são colocados palhas de arroz para evitar a troca de calor e prolongar a vida pós-colheita dos frutos. Este transporte alternativo apesar de parecer um tanto arcaico e primitivo apresenta um custo infinitamente menor que os sofisticados caminhões refrigerados preconizados em países desenvolvidos e tem apresentado resultados satisfatórios para transportar os frutos da região sul para as regiões não muito distantes do norte da China. Desta forma, nos estudos para prolongar a vida pós-colheita dos frutos é imperativa a avaliação dos custos e benefícios.

Como a  produção de lichia tem aumentado, consideravelmente, a cada ano, a desidratação dos frutos como forma tradicional de preservar os frutos deve ser considerada para regular os preços do mercado de fruta fresca, haja vista a concentração da colheita das principais cultivares em poucos meses do ano. Na safra de 1999 aproximadamente 30% da produção de Guangdong, principal região produtora da China, foi desidratada. O fruto desidratado é comercializado, praticamente, no mercado interno e apenas uma quantidade insignificante é exportada para os mercados asiáticos.

Outro método empregado para preservar os frutos é o rápido congelamento e o processamento da polpa em caldas. Em 1999, somente 2.500 toneladas de frutas frescas foram processadas em polpas e enlatadas e outras 500 toneladas congeladas o que representa apenas 2,5% e 0,5%, respectivamente, da  produção chinesa. Esta  produção é exportada, principalmente, para o mercado japonês uma vez que a exportação de frutas frescas não é permitida devido a barreiras fitossanitárias. Outros países importadores da lichia congelada e enlatada são os USA, Coréia do Sul e Austrália. Os cultivares ‘Heiye’ e ‘Huaizhi’ são as mais utilizadas para o congelamento e para o processamento da polpa.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Anon., 1998. A Revised Edition of Frequently Asked Questions in Litchi Production. Guangdong Sci. and Tech. Press, Guangzhou.

Chen, H. & Huang, H. 2000. China litchi industry: development, achievements and problems. Acta Horticulturae – International Symposium on Litchi and Longan.

Li, J.G., Huang, H.B., Gao, F.F., Huang, X.M. & Wang, H.C., 2000. An overview of the research in litchi fruit cracking. Acta Horticulturae – International Symposium on Litchi and Longan.

Li, P., 1999. Studies on the mechanism of fruit coloration and its regulation in Feizixiao



 
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